10 de set de 2014

Praça dos Capuchinhos é o“point”de aposentados


Todos os dias um grupo de aposentados se reunem num encontro agradável e “obrigatório”  para o bate papo, o lazer, a descontração e também uma competição que já dura mais de 15 anos. Os jogos de dominó e de cartas de baralho. “Aqui é nossa grande terapia”, diz Aloilson Bessa Leite. 

São dois grupos que hoje somam cerca de 50 integrantes divididos entre os que jogam pedrinhas e os que preferem o terno vermelho. Todos os dias, a partir das 9 horas da manhã eles se dividem em grupos de quatro e se concentram apenas nas jogadas. O que acontece “lá fora” é outra história.

Chuva, sol, vento ou calor são pequenos detalhes que esses jovens da terceira idade já estão acostumados a enfrentar. Não porque preferem, mas pelas condições do local que não é tão favorável.

A praça é o único espaço público disponível no bairro Conceição onde eles podem se reunir, mas não tem cobertura, a não ser uma improvisada em cima do monumento (colunas) que decora a praça, localizada fica em frente à igreja que tem o mesmo nome do bairro.

Eles não reclamam, mas bem que ficariam mais felizes se houvesse um espaço maior e mais confortável.  Ou pelo menos se fossem colocados mesas e banquinhos fixos de cimento, a exemplo do que acontece em algumas áreas.

“Nos divertimos aqui e consideramos um passatempo saudável, bem melhor do que estarmos em casa, sem ter muito o que fazer”, confirma Adailson Souza Pontes, um dos freqüentadores da praça.

Outro integrante, Alberto Fernandes Dias, conta que o grupo surgiu no inicio da década de 90 como por acaso, com apenas quatro jovens idosos que se encontravam para jogar, na antiga feirinha do bairro. Aos poucos, um e outro e mais outros se aproximaram por curiosidade, gostaram e terminaram ficando.
A “coisa”hoje é tão benéfica e ao mesmo tempo tão levada sério que os aposentados decidiram criar a Associação dos Aposentados do Conceição, com horários definidos e uma taxa simbólica mensal de R$5 reais. O dinheiro é para a “manutenção do clube”, ou seja,  a compra de pedras de dominó, de baralhos, prêmios e ingredientes para um bom churrasco.  

A festa com comes e bebes só acontece durante o torneio realizado pelo menos duas vezes por ano. Ganham prêmios o primeiro, o segundo e terceiro colocados nas duas categorias (dominó e baralho). Terapia, passatempo, encontro de amigos, não importa o que os aposentados vão em busca. O certo é que o hábito competitivo e rotineiro deixa o grupo feliz e tem contribuído para uma vida mais saudável para todos eles.

E estudos científicos confirmam que os exercícios cerebrais feitos com freqüência em cada partida, como é o caso do jogo de dominó ou do baralho, trazem efeito positivo para a memória e  a inteligência do idoso em especial. 

Ao ponto de se tornar semelhante ao que ocorre com exercícios musculares realizados nas academias. “A atividade cerebral deve ser incentivada com freqüência porque fortalece o registro da informação e a organização dos dados na memória, na atenção e no raciocínio, ajudando a compensar  o avanço da idade.”.

Para o outro “sócio” Carlos Augusto Menezes, as informações são bem vindas porque  reforça o compromisso que eles já tem de se reunir, todos os dias da semana, inclusive aos domingos para as deliciosas partidas de baralho e dominó.

Ah! Os “meninos da melhor idade” dizem que o “clube” é aberto à participação de qualquer pessoa, independente de ser aposentada ou não.
Por Rosi Barreto [A Região]