1 de mar de 2011

Feiura e abandono no comércio de Itabuna

Ao andar pelo centro de Itabuna, com um pouco de atenção, pode-se ter uma experiência curiosa e triste. Ou melhor, tristemente curiosa: a arquitetura do nosso comércio está completamente deteriorada, expressando feiura, abandono e, pior, refletindo uma relativa falência comercial. Olhando nas fachadas e vitrines do térreo, tudo está normal. Mas tente erguer os olhos até um pouco acima dos letreiros e verá um verdadeiro cenário de terror, um desfile de imóveis desgastados pelo tempo, sem pintura ou qualquer tipo de manutenção, alguns em ruínas. E não é preciso ir longe. Em um rápido passeio pela Av. Cinquentenário, principal veia comercial da cidade, registramos esse show de horrores em fotos tão reveladoras quanto deprimentes.

Muitos prédios exibem letreiros de empresas que nem existem mais. Como por exemplo, esse escritório da TV Aratu, desativado há pelo menos duas décadas.

Como tapar a feiura de um imóvel nessas condições com um letreiro tão minúsculo? Pelo menos nessa garagem ao lado foi iniciada uma reforma.

Com um pouquinho mais de esforço, essa loja se deu melhor e conseguiu esconder toda a fachada da loja, com um colorido banner de material escolar. Dois monstrinhos depois, pode-se ver o prédio onde funciona o Sindicato dos Comerciários (vermelho e amarelo), provavelmente o único prédio com fachada novinha na Cinquentenário.

Fachada "estilo Oduque" (anos 70), completamente desgastada pelo tempo. Com pequenos reparos, pintura e uma boa limpeza, poderia se tornar um bom registro daquela época.

Pequeno, baixinho, pobre e feio. Ainda bem que não é uma pessoa...

Esse é um dos prédios comerciais mais antigos de Itabuna, na Praça Adami. Tem estilo, mas está completamente desgastado pelo tempo, tornando-se ele próprio uma poluição visual. A estrutura interna também está completamente gasta.

Nesse prédio funcionou durante anos (ou será que ainda funciona?) o estúdio do Emerson Fotógrafo, um dos grandes retratistas da cidade, tendo registrado durante décadas o cotidiano da cidade de Itabuna. Tinha mais sorte que nós, pois na sua época ele tinha uma arquitetura bonita para fotografar.

Cena reveladora: entre dois grandes banners, um antigo prédio semi-abandonado exibe uma faixa de "aluga-se". Quer apostar que o aluguel é caríssimo?

Em comparação a muitos que aparecem aqui, esse até que está bonitinho.

Olha só que dupla: no primeiro, que esquina da Cinquentenário com a Praça Adami, foi instalado o primeiro elevador da cidade (que ainda funciona). Também exibe em sua fachada lateral um belo mosaico. Se fosse reformado (ou melhor, restaurado), mantendo sua fachada original, seria outro bom registro de uma época. Ao lado, mais feiura acima do letreiro.

Essa, como diria Caetano, "lembra uma boca banguela". E com alguns dentes podres!

Mais uma sequência de fachadas, digamos, pouco inspiradas.

Deixamos por último esse prédio que durante vários anos foi símbolo do progresso tecnológico de Itabuna. Ali funcionava a loja Macro Eletromóveis, com seus vários andares e fachada com letreiros de neon do térreo ao teto. Era uma espécie de "orgulho itabunense" e, não raro, eram vistas pessoas paradas apenas admirando o show de luzes e cores. Está abandonado há pelo menos duas décadas - não o interior, que funciona como um depósito de mercadorias, mas justamente a fachada, que era o que dava um charme especial. Será que os bons tempos voltarão?