11 de jul de 2015

O Rio Cachoeira Era o "Pai dos Pobres" em Itabuna



Quando ainda não sofria os fortes efeitos da poluição. Lurdes Bispo, doméstica, tem 61 anos e conta que o Rio Cachoeira era muito diferente do que é visto hoje.

“Esse rio era lindo”. Lurdes lembra do tempo em que crianças costumavam brincar no rio, mulheres lavavam roupas e homens pescavam. O rio Cachoeira era fonte de lazer e trabalho. “Esse rio era o pai e a mãe da pobreza”.

Era nele que as famílias encontravam formas de sustento, lembra. Sem poluição, a pesca era um bom negócio e as lavadeiras podiam trabalhar despreocupadas. Lurdes diz que mulheres passavam o dia todo lavando roupas no rio, inclusive ela.

Os filhos da doméstica costumavam brincar com outras crianças no Cachoeira. Lurdes explica que era uma forma de lazer para todos. “ Tinha areia branca e dava pra ver muitos peixes no rio”.

Para ela todo o esgoto e lixo despejado no Cachoeira acabou com o rio. “O rio está morto. Acabou”. Segundo ela, as pessoas deviam tomar conta do rio, pois ele já foi muito importante para a cidade.

Banho de RioO carregador Moisés dos Anjos, 62 anos, conta também que costumava tomar banho no rio, há muitos anos. Ele passava o dia pescando enquanto a mãe tomava banho e lavava roupa. “ Saíamos de manhã e só voltávamos à noite”, lembra Moisés.

Ele diz que o rio vivia lotado de pessoas e que um número enorme de crianças costumava brincar nele. Na opinião de Moisés, hoje as pessoas não são felizes com o rio como no passado.

“As pessoas não encontram mais peixes e o mau cheiro incomoda muito. Já foi muito bom esse rio, mais hoje nem as mulheres ganham mais lavando roupas”.

José Rosa tem 36 anos e é carregador. Ele conta que o rio era um lugar que costumava brincar quando criança. Era um lugar de lazer dele e dos colegas.

Todos os amigos de José iam até o rio e passavam o dia nadando e brincando. “Hoje, não tenho mais coragem de entrar”.

Todas as mudanças do Rio Cachoeira já serviram como fonte de inspiração para o escritor e poeta Cyro de Mattos. Em seu livro “Vinte Poemas do Rio”, Cyro apresenta poemas que lembram os tempos das lavadeiras, dos pescadores e das crianças. Há também referências à poluição do rio.
Fonte: Jornal “A Região”, 25 de abril de 2009, Itabuna